Batalha de Berlim

OFENSIVA RUSSA

Forças: 2O Exércitos(15O divisões) 2.5 milhões de soldados

41.6OO canhões

6.3OO tanques

8.4OO aviões


Proclamação do Marechal Zhukov:

" Soldado soviético, vinga-te ! Comporta-te de tal maneira, que não somente os alemães de hoje, mas os seus descendentes longínquos, tremam lembrando-se de ti. Tudo o que pertence ao sub-homem germânico é teu. Soldado soviético, não cedas a qualquer espécie de piedade".

Comandantes russos

Zhukov * Koniev * Rokossovski

 

O Arianismo

A perversão da lógica da guerra: Berlim, o núcleo do poder, cai primeiramente que a periferia, debatendo-se entre a agonia, a fantasia e, finalmente, os equívocos da mitologia ariana...

O incidente com a divisão Leibstandart Adolf Hitler que, debaixo de forte chuvas resiste mal, deixa o Fuhrer indignado, e ordena que todos retirem dos braços (uniforme) as braçadeiras com o seu nome. É obedecido. Os SS devolvem as braçadeiras num penico. E também o braço de um companheiro morto em batalha. (A Segunda Grande Guerra, Raymond Cartier, p.7O7). Hitler dirá: " Meus SS também me trairam".

As derrotas se sucedem ante o avanço russo. A derrota do 9º Exército leva Hitler a acusar o General Busse de incompetente. O General Guderian defende o colega e Hitler levanta a mão contra ele, que é puxado pela gola da farda pelo Marechal Keitel, que lhe diz : " Como ousa contradizer o Fuhrer dessa maneira? Que seria de nós se ele sofresse um derrrame?". Hitler pede que todos saiam. Diante de Keitel, diz para Guderian:" Generaloberst Guderian, seu estado de saúde exige repouso imediato". O General Hans Krebs, ex-adido em Moscou será o seu substituto. Guderian também havia desejado retirar as tropas da Curlândia para reforçar o Óder.

Durante a ofensiva russa ficam famosos "orgãos de Stalin", obuses eficazes em destruição. Pelo oeste, caem as cidades de Kassel, Osna bruck, Mindau, Wurzburgo, Bayreuth, Nurembergue, Hanover e Brunswick.

A 17 de abril o Marechal Model foge para um bosque perto de Duisburgo, escolhe um carvalho ao pé do qual desejava ser enterrado e, contra o pedido de todos da um tiro de pistola na cabeça.

Hitler está desesperado e chama o Exército Russo de :" Um bando de criminosos trazidos dos campos de concentração, embora comandado por um verdadeiro homem de guerra, Stalin". Depois chama seus generais de esclerosados, pessimistas, e pensa que os russos irão na direção de Dresden a fim de cercarem o maçiço da Boêmia e juntar-se, no Danúbio, aos seus exércitos que sitiam Viena. E que não deixará Berlim já sem interesse estratégico, pensamento que coincide com o de Eisenhower. Mas não imagina ir para Berchestgarden, seu santuário político. Um exército de emergência é composto para defender Berlim, com tropas de várias armas, com um efetivo de 137.OOO.OO homens e entregue ao general Heinrici, que afinal compreende o desastre alemão.

A invasão da Austria pelos russos, do General Malinovski, é dramática, apesar dos apelos aos patriotas feito por Hitler. O comandante da praça , Von Brunau responde a Hitler: " A população vienense atira mais contra nossos soldados que contra o inimigo".

BERLIM: o General Henrici pensa em abandonar a capital para formar uma força defensiva entre o Óder e o Elba. O General Windlig tenta contornar Berlim pelo Sul, para alcançar o exército de Wenck, nas proximidades de Potsdam. Hitler exige a defesa de Berlim.

A 3O de abril é aniversário de Hitler. Há comemorações.

A encenação de Goebbels:

Uma declaração de fidelidade, da parte de Goebbels, é ouvida pelo rádio e chega a emocionar o povo alemão, apesar de tudo. Ele insistia na defesa de Berlim, e que ali é que Hitler deveria ficar, como todos. Mas na ante-sala diria para seus interlocutores palavras de grosseria contra o povo alemão, chamando-o de covarde, permitindo que suas mulheres fossem violadas e seu solo ultrajado. E que, os que ali estavam, não estavam como inocentes, portanto, com os pesçoços em perigo. No leste - insistia Goebbels - sucendem-se as fugas, e no oeste as rendições. O povo alemão não era digno do Nacional Socialismo. Por sua covardia, por sua derrota , suas cólicas, sua abjeção, pagaria ainda mais caro do que teria pago por uma vitória, alta demais para ele. Depois grita para Hans Fritzsche: " Estamos caindo e vamos arrastar o mundo".

O General Wenck, do 2º Exército, compreende a derrota e sabe que a rendição aos americanos será a melhor solução. Mas as ordens de marechal Keitel jogam as tropas alemãs dentro da fogueira russa.

A calma no BUNKER é violada por um telegrama de Goering, endereçado a Hitler: " O senhor aceita que eu assuma a direção total do Reich com plenos poderes, no exterior e no interior ? Se não houver resposta dentro de 22 horas de hoje considerarei que cessou sua liberdade de ação e agirei da melhor maneira visando aos altos interesses do nosso povo e de nosso país". Hitler manda um comunicado ao comandante SS em Berchstgarden: " Herman Goering, julgado de alta traição, despojado de todos os títulos e dignidade é condenado à morte". Em seguida convoca o Barão Von Robert Greim para comandante da Luftwaff, em lugar de Goering. Depois suspende a sua condenação à morte, pelos serviços prestados anteriormente. Mantêm apenas a prisão para Goering.

24 de abril : Berlim está sitiada. O Marecham Keitel é preso , quando voltava de uma inspenção às tropas do General Henrici.

Von Robert Greim chega num avião Focke Wulf, com uma bela aviadora de nome Hanna Heitich, fanática de Hitler e que o desejava conhecer de qualquer modo. Aterrisa no aeroporto de Hechlim, em péssimo estado. Num outro avião, um "fuseler storch", Hanna sobrevoa Berlim, em chamas. Um obus abate o avião e Von Greim é ferido na perna, e desmaia. Hanna consegue aterrisar. Encontra um automóvel e chega à Chancelaria, onde Von Greim é atendido. Hitler vai à cabeceira da sua cama e lamenta a traição de Goering, dizendo que não se entregará aos russos. Que prefere o suicídio. Hanna e Von Greim pedem a Hitler que lhes permita ter o mesmo destino. Hitler os proibe, e nomeia Von Greim o novo " generalfeldmarshall ", e que deverá deixar Berlim imediatamente e assumir o comando da Luftwaff, o que não é possível,de imediato. Os dias seguintes serão de tentativas da Luftwaff no sentido de enviar os aviões que levariam o seu novo chefe.

A 25 de abril russos e americanos encontram-se, no Elba. Dão-se as mãos, num gesto simbólico: A Alemanha está dividida.

O ataque final, dos russos, toma a estação de Auhart, depois o QG da Gestapo, onde encontram cadáveres de presos políticos. A Chancelaria está a 3OO metros.

No metrô de Berlim estavam, provavelmente, 3 milhões de refugiados, quando as comportas do " Landwehr Kanal " foram explodidas por uma " ordem extrema", invadindo os seus corredores. Entre as estações de Un der Linden e Leipzigerplatz morreram milhares de não combatentes, num espetáculo doloroso.

Berlim é um mar de sangue. Muitos são enforcados pelos SS, enlouquecidos, que colocam frases de traição sobre os seus corpos, nas árvores, com letras trágicas, revelando seus castigos.

A 28.O4.45- O exército do General Wenck vem em socorro de Berlim, como única e última esperança. Correm notícias de hostilidades entre russos e americanos. Franklin Roosevelt estava morto.

Após o dia 28 de abril:

1- Himmler, através do Conde Bernadotte , tentou negociar a rendição do Reich em troca da sucessão de Hitler.

2- Hitler compreende a traição de Himmler.

3- Hitler reunido com Martin von Borman e Goebbels procura vingança: fuzila Herman Fegelin, antigo joquei, casado com a irmão de Eva Braun, e que havia sido promovido a comandante de uma brigada de cavalaria, na Rússia. O fuzilamente é realizado nos jardins da Chacelaria.

4- Eva Braun murmura: " Pobre Adolf, está sendo traído".

5- Os "orgãos de Stalin", dos obuses, voltam a cair. Os seus estampidos são ouvidos na Chancelaria, onde os ventiladores são desligados para não espalharem seus gazes tóxicos.

6- A linha telefônica é cortada, isolando a Chancelaria.

7- A Luftwaff envia todos os tipos de aviões para retirar o seu novo comandante de Berlim, Von Greim. E finalmente, Hanna consegue sair num avião "arado 96". O Almirante Dôenitz precisa estar bem informado e Von Greim é o homem para isso.

8- Duas horas depois Hitler e Eva Braun casam-se. Goebbels é o padrinho. O oficial de justiça, do registro civil, usa no braço uma cruz suástica da Volkssturm e chama-se Walter Wagner. Tudo é muito rápido e Hitler vai logo para o seu quarto, onde dita um testamento, para a sua secretária Frau Junge, de natureza particular e também político:

Contéudo do testamento

a - Defende-se por ter desejado a guerra

b - Credita a derrota aos oficiais:covardes e desleais,como Goerin e Himmler, por exemplo.

c- Designa o Almirante Döenitz como o seu sucessor, Goebbels será Chanceler; Seyss-Inquart, Ministro do Exterior; Borman, chefe do Estado Maior e Scornher o comandante da Wermacht.

e - Keitel, Ribbentrop e Albert Spper estão eliminados.

f - E conclui: O povo alemão deve manter com todo o rigor as leis raciais e perseguir de maneira implacável os judeus, envenadores de todo de todas as nações.

g - Seus bens ficam para o Partido...se o Partido não mais existir ficam para o Estado...e se o Estado não existir, " qualquer disposição de minha parte será supérflua".

f - As obras de arte reúnidas servirão para um museu na cidade onde nasceu, Linz

h - Ele e eva Braun preferem a morte a serem capturados pelos soviéticos. E que seus corpos sejam queimados.

O testamento é enviado ao Almirante Döenitz, com três cópias.

Goebbels redige um apendice ao testamento de Hitler:

"No turbilhão de traições que envolve o Führer, há que haver, pelo menos, um homem que fique a seu lado, incondicionalmente fiel até a morte. Passaria o resto dos meus a considerar-me um traidor desprezível e um canalha vulgar se agisse de outra maneira".

Goebbels recebe apoio da mulher e dos filhos. Para eles a existência não tem sentido sem o Nacional Socialismo.

9 - A resistência na Alexanderplatz é heróica. As baixas soviéticas deixam seus comandantes escandalizados.

1O - Ainda houve tentativa dos Generais Wenck e Steiner para evitar a derrota final de Berlim e salvar Hitler do cerco.

11 - O comandante de Berlim, General Weidling, numa reúnião, no Bunker,relata as dificuldades, afirmando:"a resistência não passará de 1º de maio". Propõe uma saída ao encontro do General Wenck. Hitler recusa. Berlim tem que ser defendida. Já havia dado ordem para sua cadela, de nome Blondi, ser sacrificada.

12 - Os russos estão a 1OO metros da Chancelaria, do Bunker.

13 - 3O de abril de 1945: 15 hs 3Oms, Hitler dá um tiro na boca. Eva Braun toma uma cápsula de veneno

Batalha Final de Berlim

O General de Exército W. I. Tsichiikov faz o ataque final. É o mesmo que defendeu Stalinigrado.

FATOS:

1- A 3O de abril é informado (meia-noite) que um coronel alemão acabou de apresentar-se com uma bandeira branca e pergunta como o General Krebs, chefe do Estado-Maior da Wermacht, poderia atravessar a linha para uma missão junto ao comando soviético.

2 - Tschiikov notifica o fato ao Marechal Zukhov, e dele recebe uma autorização para receber o general Krebs.

3 - O General Krebs chega ao Aulenburgring às 4 horas da manhã , com o Coronel Von Ruvfeing e o Tenente Neillands. Krebs fala diretamente com Tschiikov, que lhe diz só o responderá diante do seu Estado Maior.

4 - Krebs fala, diante de Tschiikov e seu Estado-Maior: "A mensagem que lhe trago é de importância capital. As tropas ainda não sabem :Adolf Hitler suicidou-se" . Tschiikov não se abala e responde:" Eu sabia". E depois conclue: " Vossa Excelência vem trazer a capitulação geral e incondicional ? Válida para todos os aliados ? " O General Krebs passa a falar em russo - havia sido adido militar na Rússia - e explica que Hitler havia nomeado o Almirante Dôenitz como seu sucessor. E que não pode capitular em nome de toda a Alemanha, e que Dôenitz encontra-se em Scheswig-Holstein, cabendo a ele esta decisão. Revela seu desprezo pelas democracias ocidentais e lamenta o incidente que separou os seus países, dizendo que este também é o ponto de vista de Goebbels e Borman, que aguardam a sua resposta.

5 - Tschiikov é seco: " Preciso apenas de um sim ou de um não. Capitula, sim ou não? Krebs pede tempo para mandar o Coronel Duvfing ir até a Chancelaria obter a permissão.

6 - O Tenente Neilands e os dois oficiais russos que acompanham o Coronel Duvfing são metralhados pelos resistentes. O coronel Duvfing consegue ligar para a Chancelaria e fala com Goebbels, que lhe avisa preferir o relatório do próprio Krebs. Os nacionais-socialistas nutrem a esperança de um confronto entre russos e americanos e pretendem lançar um manifesto ao povo alemão no sentido de reatarem a antiga aliança teuto-soviética.

7- O relatório de Krebs é um choque, e faz que perguntem: " Das it das ende ? " (É o fim?). Weidling acha que se deve aceitar as condições impostas pelos russos: a capitulação.

8 - Borman prefere viver e prepara uma saída noturna. Goebbels, ao contrário, prefere a morte. Schuder, Burgdorf e Krebs estouram a cabeça com balas. Goebbels e Magda envenenam os filhos. Depois com o retrato de Hitler sobem as escadas da Chancelaria, vão até os jardins , onde os S S, de modo combinado, os fuzilam, num ritual trágico.

9 - Os sobreviventes: secretárias Frau Christian, Junge, Kruger , o motorista Kempka que juntamente com o General Voss atingirão a Alemanha Ocidental, mas passarão pelos cárceres soviéticos dando informações sobre a morte de Hitler. Martin Borman desapareceu, tudo indica, em alguma explosão.

1O - No Schulenburgring o General Weidling assina a capitulação de Berlim. Depois é conduzido a uma sala do Joannisthal, onde aceitará a repetição da cerimônia e procede à leitura de uma proclamação onde acusa Hitler de ter deixado ao desamparo ( in istich ) os que por ele combateram até o final.

11- Em Charlottenburg reorganiza-se uma multidão de combatentes. O comandante da Divisão Muncheburg é Mummeert, que tendo o braço ferido e na tipoia, lança uma coluna sobre Spandau, transpondo a ponte sobre o fogo da artilharia soviética com o sacrifício de muitas vidas. O nome do general Wenck é pronunciado por todos, em voz ainda cheia de entusiasmo. É a ele que buscam, como esperança final, na direção de Potsdam. Spandau vira um cemitério de cadáveres insepultos. O dia 3 de maio é marcado pela morte do General Mummert. A fome também é fator de fome entre os soldados. Ainda assim eles atingem Döenitz , enquanto são massacrados pela artilharia soviética, pelos tanques, aviões, com suas metralhadoras. Muitos alcançarão o exército do General Wenck.

12 - Em Berlim cai o último foco de resistência: o Hochbunker, do Jardim Zoológico. Aos sairem dos abrigos os alemães podem observar a catástrofe que se abateu sobre Berlim. A cidade é um cadáver fumegante. A sorte dos mortos faz inveja aos vivos.

13 - Ivan Serov, ministro da Indústria Soviética, pessoalmente organiza o desmonte das indústria alemãs. O saque, calculado em 4 bilhões de marcos alemães, é algo fantástico. Mas até chegarem à Rússia vão se tornar sucatas industriais.

14 - Na noite de l5 de abril o Almirante Döenitz havia dado ordens para que o seu QG saísse de Bernau. Pouco mais de uma hora depois as tropas soviéticas ali chegavam. O novo QG estava entre Lubeck e Kiel, onde, de fato, ele assumiu o comando da Alemanha do Norte, tendo ao seu lado o Marechal Busch como comandante das forças terrestres.

15- Notícias que chegam a Döenitz:

a - o rebaixamente de Goering.

b - o radiograma de Borman sobre a negociação e a traição de Himmler, com o pedido do Fuhrer para que ele aja rápido.

Dôenitz não gosta de Borman nem de Goebbels nem de Himmler ,com quem ainda prefere falar, no quartel dos S S, em Lubeck, onde ele jura fidelidade absoluta a Hitler e diz que está sendo vítima de intrigas. O velho Almirante vacila...

c - novo radiograma de Borman, no qual Hitler nomeia Donitz como sucessor de Goering, com poderes por escrito, que lhe chegarão, depois. Döenitz convoca Himmler e o recebe com um revólver sobre a mesa. Em seguida lê o radiograma de Borman, para o espanto de Himmler, que , pálido lhe diz: " Espero que V.Excia me permita ser o segundo homem do seu Estado".

16 - 1º de maio :7.4O - novo radiograma de Borman : " Testamento em vigor. Alcançalo-ei logo que puder. Até lá aconselho-o a retardar divulgação público: Bornau". Dôenitz não obedece. Proclama Hitler como morto em batalha, lutando até o último instante contra o bolchevismo. Não atende às imposições do testamento. Seu chanceler será o Ministro das Finanças, Schewerin Von Krosik. Albert Spee fica sem pasta, mas com poderes de influência, tanto que, lhe sugere mandar prender Borman e Goebbels, caso tentem sair de Berlim.

17 - As tropas de Montgomery atravessam o Elba e atingem o oeste de Micklenburg. Döenitz recua para Murwick, perto de Flensburgo, na fronteira dinamarquesa. Jodl e Keitel ainda acreditam que o encontro das tropas russas e ocidentais termirão em conflitos, conforme era previsão de Hitler.

18 - Em Flensburgo Döenitz dita ao seu ajudante-de-campo, o oficial Ludde Neurath, o resumo da herança que lhe coube.

19 - Na Itália o grupo de exércitos de Vietinghoff capitula, entregando aos aliados um milhão de prisioneiros. O 3º Exército americano conquista a Saxônia, e o 7º Exército conquista Munique. O 1º Exército Francês toma Stuttgart, a Floresta Negra, e chega ao lago Constança.

2O - A Luftwaff está anulada. A produção de guerra está esgotada. A Alemanha está esfacelada, com suas tropas desorganizadas. Muitos ainda teimam em não acreditar. Outros estão mal informados.

21- Na Curlândia o grupo de exércitos do general Hilpert ainda resiste. Na Holanda,, em Amsterdam e Roterdam, os exércitos de Blaskovitz ainda estão conservados. Na Franças os aliados franqueam a embocadura do Gironde, destruindo Royan. Mas Dunquerque, Calais, Bologne, Lorient, Saint-Nazaire, La Rocelle, também as ilhas anglo-normandas continuam mantidas sob fortes guarnições. No Mediterrâneo as ilhas de Creta e Rhodes continuam mantidas pelos alemães. O grupo de exércitos de Lohr mantêm os balcãs. O general Rendulic defende o oeste da Austria. O general Schorner domina toda a Tchecoslováquia. Três milhões de soldados alemães continuam em armas, do Cabo Norte ao mar Egeu. Apenas o Reich está perdido.

22 - A retomada da ofensiva inglesa inicia o bombardeio sobre as estradas alemãs, fazendo vítimas entre refugiados. A própria tropa tem dificuldfade de atravessar entre a onda de refugiados, e dela se livrar. O prosseguimento da luta já tem um aspecto criminoso. O almirante Döenitz examina o aspecto da luta, e pensa: " O mínimo de capitulação aos russos, e o máximo em relação aos aliados".

23 - Por toda parte os exércitos alemães decidem, sozinhos, e se entregam aos aliados.

24 - O General Wenck não consegue atingir Berlim e fica na defensiva, em Havel. A 2 de maio é alcançado pelo 9º Exército, inteiramente esfacelado.

25 - A 4 de maio o General Barão Von Edhelsheim, comandante do 4º Corpo Blindado atravessa o Elba, sob bandeira branca e leva uma proposta de Wenck : rendição aos 9º e 12º Exércitos americanos ; abertura do Elba aos feridos, aos civis, e aos militares desarmados. As propostas são aceitas, excluindo os civis. Eles vêm de todos os lugares possíveis, e aceitá-los implica em acatar as notícias das atrocidades cometidas pelos russos, segundo denúncias. O Elba está fechado aos refugiados, que suportarão horrores, do outro lado.

26 - Os alemães não têm recursos: aceitam as condições aliadas. Logo em seguida começa a travessia do Elba. Mais tarde o General Tippelkirsch também capitulará, nas mesmas condições do General Wenck.

27 - Dôenitz procurou entendimentos com os vencedores. A 2 de maio, durante sua fuga para Flensburgo, deteve-se na ponte Levensauer, no canal de Kiel, e atribuiu ao comandante-chefe da Kriegmarine, o Almiran-te Von Friedeburg, a missão de render-se ao General Montgomery, em nome dos exércitos da Alemanha do Norte, solicitando ajuda para a miséria, geral, incluindo os refugiados. A viagem de Friedeburg vinga todas as humilhações sofridas pelos plenipotenciários quando das rendições dos seus países perante Hitler. Friedeburg vai acompanhado pelo General Kinzel, chefe do Estado-Maior do Marechal Busch, pelo Contra-Almirante Wagner e pelo Major Friedel. Nas ruínas de Hamburgo são presos pelo "gauleiter" Kauffman, que os ameaça de fuzilamento. Só na manhã seguinte chegam ao PC de Montgomery, na mata de Lunenburgo. São recebidos com indeferença, por Montgomery, que exclama: " Quem são esses ? Que desejam?." E depois repele o pedido de capitulação dos exércitos que ainda combatiam contra os russos. O Major Friedel dirá:

" - Nenhum soldado obedecerá a ordem de depor armas diante dos russos". E ainda, com alguma dificuldade, dirá que o cativeiro russo é bárbaro. Um mapa é mostrado ao Almirante Friedeburg, com fantásticas forças para serem usadas contra a Alemanha. Friedeburg sua frio e depois prorrompe em soluços. Montgomery manda servir os alemães, que humilhados, aumentarão o sal da comida inglesa com suas lágrimas.

28 - Montgomery continua as conversações. Propõe a capitulação imdiata de todas as forças alemães, aéreas, terrestres e navais, que se encontravam nos flancos oeste e norte dos seus exércitos, isto é, na Holanda, nas ilhas de Frisa, em Heligoland, no Schleswig-Holestein, Dinamarca, e que, sob estas condições todos seriam tratados com prisioneiros. E antes mesmo de aceitar a capitulação mandou suspender todos os bombardeios.

29- Friedeburg diz que não tem tantos poderes para decidir e que precisa voltar a Flensburgo, no que é atendido.

3O - Döenitz havia tomado algumas decisões, e a principal havia sido a convocação de autoridades civis e militares.Os presentes:

a- da Holanda -- Seyss-Inquart

b- da Noruega -- Terbolen e o General Boehm

c- da Curlândia- o General Foertsch

d-Tchecoslováquia- o Reishprotektor Franz e o General Natzmer

Todos concordam que a situação é crítica. Syess-Inquart informa que determinou negociações com políticos burgueses. Franz informa, com algum pesar, que determinou negociações com políticos de Praga no sentido de que eles assumam o poder e chamem os exércitos americanos para ocuparem as suas posições. Natzmer fica em dúvida por não saber se o Marechal Scornher vai preferir lutar até o último instante, situado no quadrilátero boêmio.

31- Friedeburg chega a Flensburgo por volta da meia-noite. Entre as condições de capitulação que traz está a entrega dos navios, intactos. Após alguns minutos Dôenitz o autoriza a assinar a capitulação de toda a Alemanha do Norte. E pede-lhe que prossiga sua missão até a cidade de Reims, para oferecer aos americanos rendição semelhante de todos os demais exércitos.

32 - 4 de maio : 18 horas - Friedeburg chega ao PC de Montgomery, para ouvir a seguinte pergunta:"Sim ou não?".Responde sim. Vinte minutos mais ou menos depois os correspondentes dos jornais estão prontos, atentos, com suas câmaras e microfones: Friedeburg assina a capitulação. Um avião o leva de volta para Flensburgo, de onde, na manhã seguinte, um outro o levará a Reims.

33- Friedeburg chegará a Reims acompanhado do General Kinzel , e do Coronel Poleck. Diante do General Beddel Smith pensa que tudo será fácil como o foi diante de Montgomery. Os termos são rígidos e previamente autorizados por Eisenhower, profundamente aborrecido com a atitude de Montgomery, e preocupado se os russos aceitariam aquela capitulação. Condições:

a - a capitulação deve ser assinada por todos os exércitos.

b - deve ser válida tanto para os ocidentais como para os russos.

c - desde o momento em que entrar em vigor os soldados alemães se tornarão prisioneiros, sem direito a qualquer movimento, sob pena , severa, de se colocarem fora das leis de guerra

34 - Friedeburg invoca as facilidades junto a Montgomery. Mas o general Smith responde que com Montgomery a capitulação foi considerada estratégica, e agora é considerada global, segundo exigência, embora nada comente sobre a irritação de Eisenhower.

35 - Outra vez Friedeburg tem que enviar um relatório a Flensburgo, para Dôenitz, através do General Kinzel. Jodl vem a Reims e propõe , tentando ganhar tempo, a rendição em duas etapas. Eisenhower avisa ao General Smith que se demorar demais a capitulação mandará fechar toda a frente ocidental, e que, mesmo os que se entregarem serão abatidos. Jodl telegrafa a Döenitz. A resposta vem assinada por Keitel: " Plenos poderes para V.Excia assinar pelo Grande Almirante Döenitz". ( 1.3O da manhã ).

Salão da Escola Profissional ( 68 meses de conflitos ):

- presença de 16 correspondentes estrangeiros, vindos de Paris

- o acontecimento é considerado não oficial

- é presidido pelo General Smith

- outros militares estão presentes: o General Susloparoff, russo, o Almirante inglês Harold Burrough, os americanos Spaatz e J . M. Robb, o General inglês Frederick Morgan e o General francês François Sevez.

- Eisenhower preferiu não comparecer.

Jodl, Friedeburg e Wilhelm Oxenius assinaram a capitulação, apelando para a boa vontade dos vencedores. A capitulação assinada, em verdade, atende à cólera de Stalin, que deixa o comando estratégico, o SHAEF, em polvorosa, conforme Eisenhower havia compreendido, e que, o velho General Montgomery não havia entendido, ou desejado entender.

A verdadeira cerimônia será dois dias depois,em Berlim, no meio dos exércitos vitoriosos, dos russos.

Um correspondente da Associated Press, Edmund Kennedy, entretanto, apesar da cerimônia em Reims ser considerada sigilosa, notificou o acontecimento, considerado "Não oficial".

O Estado-Maior de Eisenhower evitou que ele fosse a Berlim.disputar propaganda política com o Marechal Zhukov, fazendo um papel secundário. Eu seu lugar foi o Marechal-do-Ar Tedder (inglês).

Berlim continua em chamas. Os aviões de transporte conduzem as delegações ocidentais escoltados pelos "caças soviéticos", até o aeroporto de Tempelhof. O sobrevôo mostra uma cidade arrasada , mesmo para quem estava preparado para o fato. Os russos evitam o centro da cidade e conduzem as delegações para Karlshorst, subúrbio relativamente distante. O general De Lattre fará uma dissertação da destruiçãos efetuada pelo Exército Russo. De Lattre havia conquistado a Floresta Negra, contornando o lago Constança, penetrado na Áustria, tomado Brejens e Feldkirch ,no caminho de Brenner. Em Lindau havia recebido ordens de De Gaulle para participar do ato de capitulação de Berlim. Os russos reagiram mal a essa pretensão. Recuariam depois, por razões históricas pouco conhecidas.

Ficou estabelecido: a capitulação seria conduzida pelo Marechal Zhukov e pelo Marechal-do-Ar Tedder (representante de Eisenhower), tendo como testemuhas o General De Lattre e o General americano Spaatz.

Escola dos Sub-Oficiais de KarlsKarlshorst,no salão nobre, 09.05.45

Delegação Alemã: chefiada pelo Marechal Keitel, designado pelo Almirante Döenitz. Sua entrada no recinto foi considerada arrogante, pelo fato dele haver saudado a todos com o seu bastão de Marechal. E por isso os seus colegas não lhe responderam. Ele veio acompanhado pelo Almirante Friedburg (que se suicidou) e do Coronel-General Stumpf, (representante do Marechal Von Greim).

Keitel insiste sobre o prazo de 24 horas para comunicação a todo os exércitos. Zkukov insiste em que o prazo já lhe havia sido negado. Na saída Keitel volta a cumprimentar a todos com o seu "bastão", como que por obrigação de um velho soldado...

Dias depois o Almirante Friedburg suicida-se, envenenando-se. O General Kinzel suicida-se com um tiro na cabeça. O Marechal Vom Greim também se suicida, com um tiro,na cabeça. O Grande Almirante Döenitz foi preso em Flensburgo, juntamente com Albert Speer e Jodl e respondeu a processo em Nuremberg a 20 de novembro de 1.945.

Curlândia: a Marinha Alemã repatria 2 .2O4.722, entre militares e civis. Mas deixa 23O.OOO.OO prisioneiros. O Marechal Tito,(Iuguslávia) prende 4OO.OOO.OO homens do General Lohr. Na Áustria o exército do General Rendulic entrega-se aos americanos.

O Almirante Döenitz facilitou o possível a passagem de cientistas alemães para o Ocidente. Alguns oficiais alemães foram entregues aos russos, pelos oficiais ocidentais, quando presos. Mais tarde, um deles o general Vlassof seria repatriado e recebido festivamente na Alemanha, por Walter Ulbricht.

As Dificuldades para Berlim: a renúncia de Eisenhower

Com a conquista da margem direita do Reno, está posta uma questão: em que direção irão os exércitos ocidentais, em sua marcha vitoriosa? As tropas de Montgomery haviam atingido Wisel, e Churchil havia participado, num tanque de guerra, dessa conquista. Duas divisões aerotransportadas participaram da operação. O objetivo final era Berlim. O cerco à região do Rhur prenuncia o colapso alemão , tal a sua importância industrial. Montgomery e Churchil recebem com surprêsa que havia troca de comunicação entre Eisenhower e Stalin. A desistência sobre Berlim,da parte de Eisenhower é um golpe.

Proposta de Eisenhower a Stalin: " Fazer junção das suas forças com as russas numa linha Erfort-Leipzig-Dresden. Num esforço secundário, outra junção na região Ratisbórnia-Linz ".

Os ingleses estão chocados. O fato chocou os chefes de estratégia do "Combined Cheefs of Staff", que não haviam sido sido informados. O próprio Marechal-do-Ar, Arthur Tedder, auxiliar de Eisenhower não conhecia nada sobre as trocas de informações.

Na nova estratégia de Eisenhower, o 9º Exército Americano é retirado do comando de Montgomery e vai para o General Bradley.

1 - O 2º Grupo de Exércitos fará o papel de guarda-flanco do 12º Grupo.

As razões de Eisenhower:

Berlim está devastada; Os russos estão a 6O Kms do seu centro; Os aliados estão a 3OO kms do seu centro; O caminho para Berlim ainda poderá custar em torno de pelo menos 1OO.OOO mil soldados; O verdadeiro objetivo era o Sul; O reduto austro-bávaro, organizado em torno de Berchtsgarden era a capital mística do hitlerismo, e acabá-lo era mais importante que a pequena glória de entrar em Berlim.

Resistência inglesa

Os chefes de Estado-Maior britânicos negam a Eisenhower o direito de decidir.

Alegações:

Há questões de importância maior que a destruição do grosso das tropas alemãs; Berlim é um objetivo político; Montgomery não pode perder o 9º Exército.

A Conferência de Ialta não está sendo cumprida pelos russos.

Motivos:

Recusam o acesso da Polônia do Comitê de Londres; Impõem ao rei da Romênia um governo comunista; por onde vão passando vão deixando um rastro de dominação feroz; O caso Wolf, da S.S., que tenta negociar em Berna a rendição dos exércitos da Itália. Stalin se irrita e vê nisso uma conspiração dos nazistas com o Ocidente, enquanto os nazistas continuam a luta contra os russos, o que facilita a chegada das tropas anglo-americanas ao coração de Berlim, sem maiores resistências, e isso ele escreve a Roosevelt, com grande irritação.

Com o apoio do General Marshall, e o interesse político de Stalin, Eisenhower ganha a questão para os ingleses e coloca Berlim fora da sua rota. Os exércitos de Stalin entrarão em Berlim.

Gazeta de Alagoas-25-2-93)

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